A ALMA NOS ANIMAIS

 

 

Dunglas Home caminhou para a cama e caiu subitamente em transe. Pôs-se a murmurar palavras incompreensíveis... Verifiquei que se achava mesmo no estado de transe. As paredes e o teto começaram a vibrar com violência, dando a impressão de que acima de nossas cabeças havia um baile desordenado (o que não acontecia). De repente, Home, virou-se para mim e exclamou:

– Oh! Que vejo? O pobre do animalzinho está morto!

– Que animalzinho?

– A branquinha (era o nome de uma cadelinha pertencente à Senhora Hall). Seus donos vão ficar desolados. Ela morreu agora mesmo (exato). Ela, porém, não está morta! Parece uma bola de eletricidade; um pequeno globo de luz! Eis que se eleva no ar. Mais tarde entrará em contato com uma substância especial que a absorverá.

– O que a absorverá? Como?

– Entendi uma outra forma mais elevada de existência animal. Mas nesse intervalo um espírito qualquer poderá apossar-se dela; embora eu tenha dito que parecia um pequeno globo luminoso, quando se destacou do corpo tinha a aparência de um cão ”. (Lord Dunraven – Experiences in Spiritualism - Experiências em Espiritualismo , pág. 243).

É muito comum causar estupefação nas pessoas ao afirmar que os animais possuem alma, que evoluem e que até mesmo raciocinam. Muitas pessoas acreditam que os animais são puramente máquinas carnais. Porém, há neles um sistema: matéria – principio independente da matéria, sendo este a Alma propriamente dita. Possuem certo grau de liberdade de ação, possuem inteligência embora limitada, possuem um meio de comunicação entre eles, ou seja, possuem certo grau de consciência ( Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos ).

No ano de 2012 o pesquisador Philip Low da Universidade Stanford e do MIT (Massachusetts Institute of Technology) juntamente com mais vinte e cindo pesquisadores ganharam notoriedade nos noticiários científicos ao afirmarem que os animais possuem consciência. Afirma Ele que: “As áreas do cérebro que nos distinguem de outros animais não são as que produzem a consciência”. Exemplifica dizendo que quando um cão está com medo, sentindo dor, ou feliz em ver seu dono, são ativadas estruturas em seu cérebro semelhantes às que são ativadas em humanos quando demonstram medo, dor, prazer. Cita que um comportamento importante para o estado de consciência é o autorreconhecimento no espelho, e afirma que além dos seres humanos, golfinhos, chimpanzés, cães são capazes de fazer isso.

É certo que esta consciência não se processa da mesma forma que no homem. Sendo o Livre-arbítrio e a inteligência limitados, assim é sua consciência.

Os Animais possuem perispírito?

Sim, tendo eles o principio inteligente reveste-se este do perispírito.

 

“Se admitirmos a existência de um principio inteligente no animal, e que esse principio se revista de um perispírito no qual se armazenem os instintos, as sensações, e que a memória provenha de uma revivescência desses instintos e sensações, tudo se torna compreensível” ( Delanne, Gabriel . A Evolução Anímica) .

Ernesto Bozzano em Fenômenos de Bilocação tratou de relatar experiências executadas com animais de modestas proporções: “ colocou-se na câmara do aparelho um grilo dos campos e, no momento da morte do inseto, acionou-se um aparelho fotográfico que registrou a presença de um grilo-fantasma superposto ao cadáver do inseto, com idênticos resultados para ratos e rãs ”.

O grilo-fantasma superposto ao cadáver é nada mais que a prova da sobrevivência deste principio inteligente que habita os animais: o perispírito ou como muitos chamam duplo fluídico.

Gabriel Delanne em A Evolução Anímica relata um fato presenciado pelo Sr. Dassier . Em fins de 1869, comparecera a uma sessão de magnetismo, quando um fato ao longo da reunião surpreendeu a todos:

 

“Ia a meio a sessão, quando um assistente, percebendo uma aranha no assoalho, esmagou-a com o pé. “Alto lá! – gritou a sonâmbula – Estou vendo evolar-se o espírito da aranha!”– Qual a forma desse Espírito? – perguntou o magnetizador. – A mesma da aranha – respondeu a sonâmbula.” (Delanne, Gabriel . A Evolução Anímica )

Um curiosíssimo fenômeno na biologia é o atavismo, isto é, a reprodução em uma raça, de alguns caracteres pertencentes aos antepassados, porém, desaparecidos em seus descendentes. Citando notáveis casos, Darwin não pode explicar esta singularidade na totalidade, limitando o entendimento deste intrigante fenômeno.

 

Se estendermos aos animais as mesmas teorias, se os supusermos com um princípio inteligente, também revestidos de um duplo fluídico, que lhes reproduz exatamente a forma do corpo, compreenderemos facilmente que o animal, reencarnado ao fim de certo tempo, pode trazer os caracteres físicos que tivera durante sua passagem anterior na terra; como, porém, seus congêneres progrediram, ele surge como uma anomalia ” (Delanne, Gabriel . O Espiritismo Perante a Ciência ).

Estabelecemos através das experimentações citadas a existência do perispírito animal.

Reencarnação no mundo animal

 

Se o principio inteligente do animal sobrevive, se o animal tem, de fato, uma individualidade, possível se torna aplicar-lhes as mesmas regras que dirigem a alma humana ” (Delanne, Gabriel. A Evolução Anímica ).

Assim como os homens, os animais seguem uma lei progressiva, através do Espiritismo, pudemos verificar a necessidade da reencarnação da Alma humana, e esta lei de continuidade não nos pode induzir a crer que o animal não se forra ao imperativo da mesma necessidade. As formas animais da existência terrestre, assim como as variações da raça humana, só podem ser consideradas como formas transitórias pelas quais todos os seres vivos terão de passar. Assim, o principio inteligente viria sucessivamente utilizar organismos cada vez mais aperfeiçoados, à medida que se tornasse mais apto a dirigi-los. Somente desta forma explicamos a finalidade da vida no Universo, assim como a justiça no mundo (Bozzano, Ernesto. A Alma nos Animais ).

A sobrevivência da Alma animal se não completada pela hipótese da reencarnação carece de racionalidade, pois como podemos admitir uma condição espiritual dos animais em que um réptil, um pássaro, ou um elefante, permanecesse com tais eternamente?

 

A escala infinita dos seres vivos só pode ser a expressão das manifestações da alma nas suas etapas progressivas de evolução espiritual. Aquilo que se tornou atual no homem, graças a uma mais longa evolução, permanece em potencial nos seres inferiores. A involução precede a evolução. Não é de forma alguma a matéria que determina a evolução do Espírito, é o Espírito que, para evoluir por si só, necessita de todas as fases de experiências que se pode obter na Terr a e, consequ entemente, precisa revestir, sucessivamente, todas as formas mais refinadas que lhe pode fornecer a matéria organizada ” (Bozzano, Ernesto. A Alma nos Animais ).

Do mesmo modo, que o espírito que anima o Ser Humano, galga planetas mais evoluídos, assim se processa também no mundo animal. Os animais não estão excluídos desse estado progressivo , como nos elucida Kardec na Revista Espírita de 03/1858 . Quando o Mestre de Lion trata das habitações do planeta Júpiter, nos deixa explicito que evoluindo o homem evolui também o animal, não permanecendo o mesmo em estado estacionário, mostrando ainda a importância dos cuidados da domesticação e humanização dos animais:

 

“É o caso dos Espíritos animais que povoam Júpiter; eles se aperfeiçoaram ao mesmo tempo que nós, conosco e com o nosso auxílio. A lei é mais admirável ainda: faz tão bem de seu devotamento ao homem a primeira condição de sua ascensão planetária, que a vontade de um Espírito de Júpiter pode chamar a si todo animal que, numa de suas vidas anteriores, lhe haja dado provas de afeição. Essas simpatias, que lá no alto formam famílias de Espíritos, também agrupam em torno das famílias todo um cortejo de animais devotados. Em consequência, nosso apego neste mundo por um animal, o cuidado que tomamos de domesticá-lo e de humanizá-lo, tudo isso tem sua razão de ser, tudo será pago: é um bom ajudante que preparamos antecipadamente para um mundo melhor” (Kardec, Allan. Revista Espírita 08/1858).

Suicídio no mundo Animal

 

Numa jaula muito espaçosa, havia diversas espécies de macacos e algumas raposas novas. Uma macaquinha se tornou muito próxima de uma raposa e elas brincavam sempre juntas. Certo dia foi determinado que os animais fossem separados por uma divisória na jaula. A macaquinha, desesperada ao perceber que estava separada da amiga raposa, lançou-se num tanque de água para colocar fim à vida. O guarda tentou tirá-la, mas foi mordido. A única solução foi abrir a grade divisória. As duas amigas felizes brincaram o dia inteiro. Mas, à noite, o guarda foi obrigado a colocar novamente a grade. A macaquinha foi encontrada morta, na manhã seguinte, na caixa d'água da jaula ” (Loureiro, Carlos Bernardo. Fenômenos Espíritas no Mundo Animal ).

Por incrível que pareça relatos de suicídio entre animais é muito comum. Vejamos a opinião de Kardec sobre o assunto:

 

Não faltam exemplos de suicídio entre os animais, o cão que se deixa morrer de inanição pelo pesar de haver perdido o dono, comete um verdadeiro suicídio, o escorpião que cercado por brasa, vendo que dali não poderá sair, mata-se. É uma analogia a mais a constatar entre o espírito do homem e dos animais ” (Kardec, Allan. Revista Espírita , 1867).

Os Animais são médiuns?

 

O que é um médium? É o individuo que serve de traço de união aos espíritos, para que estes possam se comunicar com facilidade com os homens. Pessoa que sirva de intermediaria entre espíritos e homens ” (Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns ).

Os animais não são médiuns, pois não possuem essa capacidade de intermediar uma comunicação entre mundo espiritual e mundo corpóreo. Porém, existem as manifestações anímicas, ou como preferem Bozzano , Delanne , Richet , Geley , manifestações metapsíquicas em que os protagonistas são os animais. Claro, circunscritos em limites de realização mais modestos que nos casos em que os seres humanos protagonizam. Isto devido às capacidades intelectuais das espécies. Os animais podem ver sim espíritos, que acontece muito comumente. A literatura espírita está repleta de fatos que comprovam a capacidade do animal em exteriorizar estas faculdades.

 

É possível afirmar, sem temer erros, que o veredicto da ciência futura só poderá ser favorável no sentido de que existem no subconsciente animal as mesmas faculdades que encontramos no subconsciente humano; e como o fato da existência latente, no subconsciente humano, de faculdades paranormais, independentes da lei da evolução biológica, constituía a melhor prova a favor da existência no homem de um espírito independente do organismo corporal e, consequentemente, que sobrevive à morte desse organismo, era racional e inevitável concluir a partir daí que, já que no subconsciente animal encontramos as mesmas faculdades paranormais, a psique animal está também destinada a sobreviver à morte do corpo ” (Bozzano, Ernesto. A Alma nos Animais ).

Não sendo os animais médiuns, eles podem ver espíritos? Sim, não faltam exemplos disto. A faculdade é anímica. Veremos exemplos de animais que realizavam premonições, desdobramento e que viam espíritos.

 

“É certo que, os Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis aos animais e, muitas vezes, o terror súbito que eles denotam, sem que lhe percebais a causa, é determinado pela visão de um ou de muitos Espíritos, mal-intencionados com relação aos indivíduos presentes, ou com relação aos donos dos animais. Ainda com mais frequência vedes cavalos que se negam a avançar ou a recuar, ou que empinam diante de um obstáculo imaginário. Pois bem! Tende como certo que o obstáculo imaginário é quase sempre um Espírito ou um grupo de Espíritos que se comprazem em impedi-los de mover-se” (Kardec, Allan. Revista Espírita, 08/1861 ).

Carlos Bernardo Loureiro no seu livro, Fenômenos Espíritas no Mundo Animal cita o caso do escrito Nador Fodor . Antes que o escritor se mudasse da Europa para os Estados Unidos deu seu cão a uma pessoa. Este cão tinha hábito de andar sobre as teclas do piano. Certa noite ouviu-se as teclas sendo acionadas como ele fazia. Todos da casa ouviram o som do piano ao verificarem notaram que a tampa estava abaixada.

Woetzel pedira à sua mulher, quando enferma, que, se viesse a morrer, lhe aparecesse. Algumas semanas depois dela ter morrido, sentiu ele no quarto que estava fechado, uma forte rajada de vento, que quase lhe apagou a luz e abriu uma janelinha do aposento. À branda claridade Woetzel viu a forma de sua esposa, que lhe disse: “Carlos, sou imortal, um dia tornaremos a ver-nos” ; A aparição e essas palavras se repetiram segunda vez, mostrando-se vestida de branco à morta e com o aspecto que tinha antes de morrer. Um cão, que da primeira vez não dera sinal de perceber coisa alguma, da segunda se pôs a farejar e a descrever um círculo, como se o fizesse em torno de alguma pessoa sua conhecida (Delanne, Gabriel. A Alma é Imortal ).

Camille Flammarion nos narra este episódio em seu livro As Casas Mal Assombradas:

 

“A Senhora K... acariciava a gatinha ao colo. De repente, o animal mostrou-se inquieto, arrepiou-se todo e entrou a rosnar, como que atemorizado. Nesse comenos, a Senhora K... enxergou, assentada na poltrona a seu lado, uma velha megera de rosto encarquilhado, a fitá-la com rancor. A gatinha ficou como louca e atirava-se contra a porta, em saltos desesperados. A senhora, apavorada, clamava socorro. Acudiu-lhe a genitora, mas o fantasma desaparecera. A visão durou talvez cinco minutos. Dizem que nesse quarto, há muito tempo, uma velha se enforcou.”

Bozzano nos narra o episódio onde uma cachorrinha que exteriorizava pressentimentos de morte, a dona da cachorrinha chamava-se Senhora Camille, cujo seu marido há muito estava doente, mas, embora seu estado não apresentasse nenhum agravamento, o animalzinho subitamente embaixo da poltrona onde Ele descansava pôs-se uivar lamentosamente. “– Que tem esse animal? – disse o doente. – Dir-se-ia que ele anuncia minha morte... Acalmaram o doente e afastaram o animal. No dia seguinte, o marido da senhora Camille faleceu (Bozzano, Ernesto . A Alma nos Animais )”.

Bozzano explica no já citado livro como funciona este processo: “ Diríamos que nestas ocorrências os animais se encontram em condições de semi-sonambulismo, em que o automatismo subconsciente, que comandam o campo de consciência deles ”. Mais na frente nos mostra que não há nada de novo, de sobrenatural nisto:

 

Esse dom misterioso já era, alias, universalmente conhecido no reino animal sob a forma de previsão de perturbações atmosféricas iminentes, ou da proximidade de terremotos e erupções vulcânicas ” (Bozzano, Ernesto. A Alma nos Animais ).

O primeiro diretor do Instituto Metapsíquico Internacional de Paris, Dr. Gustave Geley, realizou pesquisa dessa faculdade paranormal dos animais e descreve em seu livro De l'Inconscient au Conscient, que não possui tradução para o português, somente para o espanhol:

 

“Os uivos de morte dos cães não devem ser ignorados jamais, especialmente quando são ouvidos em circunstâncias trágicas (pág. 192).”

Aparições post-mortem de Espíritos de Animais

Gabriel Delanne em A Reencarnação cita um caso narrado pela Srª Aguilana em La vie vécue d'un médium spirite:

 

“Estava em Condom, no escritório de M. T., conversando com este e sua mulher, quando tive uma singular visão, de que lhes fiz parte. Disse-lhes que via um Espírito, um senhor, personagem que descrevi. No mesmo instante, apareceu-me um cão, do qual pintei o pêlo. Ele percorria o armazém de M. T., em meio às louças e porcelanas. Era a cada instante chamado pelo senhor: “Venha cá, Médor!” como se receasse que o cão causasse algum desastre no frágil vasilhame.

“Esse senhor – disse-me M. T. – morreu há 8 anos. Era um dos meus melhores amigos e a quem eu tinha como irmão. Quanto ao cão, que se chamava Médor, é morto há quase um ano.”

Elisabeth d'Espérance em um artigo publicado na revista Light de 1904 relata o seguinte caso:

 

“Uma só vez aconteceu comigo algo parecido com uma prova pessoal da presença em espírito de um animal que tinha conhecido em vida. Tratava-se de uma pequena fox-terrier, a favorita de minha família, a qual, após a partida de seu dono, tinha sido dada a um de seus admiradores que morava a uns 700 quilômetros de nós. Um ano depois, quando entrava pela manhã na copa, vi, para minha grande surpresa, a pequena Morna correndo e saltitando ao redor do quarto, aparentemente tomada por um frenesi de alegria; ela girava, girava, ora se escondendo sob a mesa, ora se enfiando por debaixo das cadeiras, como tinha o costume de fazer em seus momentos de excitação e de alegria, após um silêncio mais ou menos longo na casa. Obviamente concluí que o novo dono de Morna a tinha trazido para nossa casa, ou então que a pequena Morna tinha conseguido sozinha encontrar o caminho de seu antigo lar. Fui logo em seguida questionar os outros membros da família a esse respeito, mas ninguém sabia de nada; aliás, embora a procurássemos por toda parte e a chamássemos pelo nome, Morna não se apresentava. Imaginamos então que eu poderia ter sonhado ou, senão, que eu poderia ter sido vítima de uma alucinação; após isso, o incidente foi rapidamente esquecido.

Vários meses depois, ou talvez um ano tenha se passado antes de encontrarmos o novo dono de Morna. Quisemos logo saber notícias dela. Ele nos disse que Morna tinha morrido após uma série de ferimentos que tinha sofrido durante uma briga com um cão enorme. Ora, pelo que pude constatar, o combate tinha se passado na mesma data ou um pouco antes do dia em que eu a tinha visto (em espírito) saltitar, correr e rodear a copa do seu antigo lar.”

Estas aparições post-mortem demonstra claramente a ideia da presença espiritual da cachorra falecida agindo com costumes que tinha quando viva.

Bozzano nos relata em A Alma nos Animais o caso de um astrônomo dono de um cão da raça São Bernardo. Certo dia em seu escritório percebera o aparecimento repentino do cão que deveria estar em casa. Animal pouco sociável, a mãe do astrônomo já havia ameaçado matá-lo. Ao chamar o animal o cão timidamente aproximou-se, quando tentou tocá-lo, ele desapareceu. Ao ligar para casa, ficou sabendo que sua mãe acabara de mandar matar o animal.

Materializações de Espíritos de Animais

As materializações de formas animais não são muito raras como se pensa. Geralmente estas manifestações acontecem de formas inesperadas e fugazes e poucas vezes são relatadas a anais de pesquisas espíritas. Com o pouco, porém esclarecedores exemplos ilustramos as passagens de grandes nomes da pesquisa fenomenológica que presenciaram estas materializações.

Paul Gibier em Análise das Coisas relata fato que acontecera com o coronel M., da École Polytechnique de Paris, o autor destaca:

 

“Nas experiências com o coronel M. (no período de 1875 a 1877), observadas por diferentes personalidades científicas do exército, a médium era a filha do próprio coronel. Um fenômeno me surpreendeu bastante ao longo desta sessão de experiências e o transcrevo àqueles que são suficientemente iniciados nestes estudos: trata-se da materialização perfeita de um cãozinho, morto alguns anos antes e que pertenceu ao coronel.”

Em carta enviada à revista Light (1907) por Alfred Vout Peters, vemos uma primeira alusão às materializações de animais: “ Lembro-me de que, nas sessões mediúnicas com a senhora Corner (na época Senhorita Florence Cook), houve a materialização de um macaco, para grande espanto da médium, que não esperava uma materialização daquela. ”, como nos esclarece Bozzano em A Alma dos Animais .

Franek Kluski possibilitava a materialização de animais, diziam que a sua faculdade mediúnica, conquanto fosse um homem culto, fazia transportar para a sala de sessões rugidos e tropéis de criaturas selvagens, o Dr. Gustave Geley o considerava “um médium universal, maior entre os seus contemporâneos”, fora examinado também Charles Richet e pelo Barão Schrenck-Notzing testemunhando a força extraordinária de seus dons mediúnicos como nos elucida Carlos Bernardo Loureiro em artigo escrito para Revista Internacional de Espiritismo de 1993.

Para encerrar no tocante as materializações de espíritos de animais segue um trecho escrito por Ernesto Bozzano, que é o mais impressionante dos casos de materializações:

 

“N o fascículo de julho-agosto de 1921 (pág. 301) da Revue Métapsychique, o doutor Gustave Geley, que tinha assistido às sessões, anunciava a publicação para breve dos relatórios sobre o fenômeno extraordinário das materializações de animais com o médium polonês Franck Kluski nos termos seguintes:

As materializações de entidades animais não são raras com Frank Kluski. Iniciada a sessão, da massa ectoplasmática que se formava e se desprendia do médium, saía, aos poucos crocitando, uma imensa águia, mediando 10 pés, ou mais, mais ou menos, 3,33 metros, que ia depois pousar nos ombros de Franek Kluski, aparecera em várias sessões nas quais foi fotografada, materializavam-se também cães, latindo, lambendo as mãos das pessoas. Gatos, esquilos e raposas... (Bozzano, Ernesto. A Alma dos Animais)”.

A Inteligência nos animais

É nos dado a todo o momento provas da inteligência dos animais. Como foi dito a sua inteligência é limitada, porém há uma variação entre os animais, intra e inter-racial. É como podemos notar entre os cães, existem cães que possuem maior capacidade de concentração, aprendizado e capacidade de entendimento que outros cães. Dentre os muitos exemplos que podemos citar, ficaremos limitados a dois dos mais fantásticos episódios que demonstram a capacidade ainda que limitada do intelecto animal. O professor Charles Richet em seu Tratado de Metapsíquica dedica um capitulo inteiro a tratar da Metapsíquica Animal.

Quatro cavalos foram capazes de resolver problemas de aritmética simples e mesmos cálculos bem complicados. Estes cavalos foram capazes de realizar adições, subtrações, multiplicações, e o que talvez não seja mais extraordinário senão na aparência, extrações de raízes quadradas e cúbicas. Respondiam com pancadas, para dizer 54, batiam cinco vezes com o casco esquerdo e quatro vezes com o casco direito. Os números eram escritos no quadro e respondido pelos animais (Richet, Charles. Tratado de Metapsíquica ).

Richet argumenta a respeito do fato negando a possibilidade de fraude.

 

“A trapaça neste caso é inadmissível. Todos os observadores estão de acordo a esse respeito, mesmo os seus contraditores. E, entretanto, em inúmeras circunstâncias, o observador ficou sozinho com o animal. Em numerosas experiências assim procedeu. Às vezes, mesmo, deixaram o cavalo sozinho na estrebaria e observavam seus movimentos através de uma pequena abertura envidraçada perfurada na muralha. E depois, muitas vezes, a solução de um cálculo é rápida demais para que um indivíduo, mesmo excelente calculador, possa dá-la com a mesma rapidez (Richet, Charles. Tratado de Metapsiquica ).”

É inegável que realmente esta capacidade de calcular operações aritméticas são manifestações de sua inteligência, nosso grande Metapsiquista admitiu após inumeráveis investigações comprovando a não ocorrência de fraude.

Temos ainda o caso interessantíssimo do cão Rolf que além de realizar operações aritméticas formulava frases através de tiptologia onde cada pancada representava um numero e cada numero uma letra do alfabeto, para conhecer mais sobre Rolf, o grande pesquisador Gabriel Delanne em A Reencarnação fala minuciosamente sobre estes curiosos e intrigantes acontecimentos. A respeito das manifestações de Rolf, Delanne emitiu a seguinte opinião:

 

Quando a ciência oficial quiser empenhar-se na estrada aberta por von Osten, Krall e a Sra. Mœkel, o véu que cobre ainda o processo do crescimento da inteligência através da série animal se romperá e acabaremos por compreender como se tem operado essa progressão mental que, dos mais baixos graus da escala zoológica, chegou ao magnífico desenvolvimento que se observa nos representantes mais ilustres da raça humana (Delanne, Gabriel . A Reencarnação ).”

Considerações Finais

Diante do exposto reflitamos no curso comum da evolução:

“O gás se mineraliza;

O mineral se vegetaliza;

O vegetal se animaliza;

O animal se humaniza;

O homem se diviniza.” (Bozzano, Ernesto. A Alma nos Animais)

 

 

REFERÊNCIAS

Allan Kardec

Kardec, Allan. 1804-1869. O livro dos Espíritos; tradução: Djalma Argollo - Salvador: Fundação Lar Harmonia, 04/2007 questões: 593. 594. 595. 597. 598. 600. 601.

Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns; Tradução: Salvador Gentile – FEB.

Kardec, Allan. Revista Espírita – Revue Spirite ; Tradução: Noleto Bezerra – FEB/1867

Kardec, Allan. Revista Espírita – Revue Spirite; Tradução Noleto Bezerra – FEB/08-1858

Kardec, Allan. Revista Espírita – Revue Spirite; Tradução Noleto Bezerra – FEB/08-1861

Kardec, Allan. Revista Espírita – Revue Spirite; Tradução Noleto Bezerra – FEB/03-1858

Camille Flammarion

Flammarion, Camille. As Casas Mal Assombradas. FEB.

Carlos Bernardo Loureiro

Loureiro, Carlos Bernardo. Fenômenos Espíritas no Mundo Animal. 1995. Ed. Mnêmio Túlio.

Loureiro, Carlos Bernardo. Dos Confins da Pré-História às sessões de Ectoplasmia. Revista Internacional de Espiritismo. 09/1993.

Charles Richet

Richet, Charles. Tratado de Metapsiquica

Elisabeth D'Espérance

D'Esperance, Elisabeth. Revista Light, 22/10/1904. Pág. 511.

Ernesto Bozzano

Bozzano, Ernesto. Fenômenos de Bilocação. FEB

Bozzano, Ernesto. A Alma nos Animais. FEB

Gabriel Delanne

Delanne, Gabriel. A Evolução Anímica. FEB.

Delanne, Gabriel. A Reencarnação. FEB.

Delanne, Gabriel. A Alma é Imortal. FEB

Delanne, Gabriel. O Espiritismo Perante a Ciência. FEB.

Gustave Geley

Geley, Gustave. De l'Inconscient au Conscient. Pag. 192 . (Tradução em Espanhol)

Paul Gibier

Gibier, Paul. Análises das Coisas. FEB.

 

 

Samir Abdalla



 
 
 
 
Página inicial